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Cosmovisão em Nietzsche
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| Categoria: |
Acadêmicos |
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| Autor: |
Mauro Araujo de Sousa |
| N° Páginas:
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90 |
| Edição: |
1° |
| ISBN: |
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| Preço Sugerido: |
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| Dimensão: |
10,5x18 cm |
| Descrição: |
"COSMOVISÃO EM NIETZSCHE" -
Leituras de Gilles Deleuze, Scarlett Marton e outra leitura.
Tais leituras possibilitam ao leitor, em perspectivas diferentes, uma maior aproximação da cosmologia de Nietzsche. A chave das três leituras, contudo, acontece em torno daquilo que, para o filósofo em foco, é o movimento contínuo de um quantum de forças, a saber: o devir. O leitor poderá, com isso, fazer experiências com o seu próprio pensar e colocar em questão aquilo que, até agora, teria visto como fundamento de seus valores, valores esses que, muitas vezes, se tornaram inquestionáveis. Nas balizas do perspectivismo e da genealogia, Nietzsche e os intérpretes serão os companheiros de viagem desse leitor tão especial que pretende vislumbrar novos horizontes... quem sabe, novos valores.
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Apresentacao: |
Comentário do Prof. Dr. Antonio Valverde
O que poderia salvar culturalmente um jovem do interior paulista em meados dos anos 70? A pensadora norte-americana, Susan Sontag, afirma que para ela a redenção veio pela Literatura, tomada como padrão de sobrevivência em meio hostil, na década de 40. Em sua juventude, nosso Autor foi remido – em princípio - pelo mais legítimo sentimento religioso de talhe cristão. Tal salvatio o conduziu à vida religiosa de passagem pelos Franciscanos. Neste ponto de sua vida deu-se o desvelamento da Filosofia.
O que leva um jovem interiorano, recém chegado à Capital, a interessar-se pela Filosofia, para além da obrigatoriedade da formação eclesiástica? O que tem levado o adulto a estudá-la sistematicamente, redigir dissertação, encontrar-se às margens da conclusão de tese doutoral, transformar-se em profissional do campo filosófico: professor, pesquisador, escritor, filósofo-funcionário? É possível que tanto a derivação e o desmonte do empenho religioso deram-se ao caso com o contato imediato do universo cultural do Oriente, mais precisamente através do budismo, ao franquear a especulação livre e desinteressada. De par com o choque cultural-religioso, dentre a profusão de discursos filosóficos, adveio a descoberta de Schopenhauer e, por extensão, de Nietzsche. Nesse ponto de fusão e desencanto, o sentimento religioso tomou quiçá outro matiz – sem ficar para as calendas. A força do pensamento nietzscheano, as injunções da nova mudança e conversão transformaram o Autor no protótipo do filósofo que faz “perguntas com o martelo”. - Que por vezes fere os dedos.
Com dupla formação - bacharel em Filosofia e História - Mauro Araujo de Sousa responde pelo futuro das contribuições brasileiras à Filosofia.
Antonio Valverde
(PUC-SP e FGV-EAESP)
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Resumo: |
COSMOVISÃO EM NIETZSCHE
Através do perspectivismo, Nietzsche pôde sentir que aquilo que chamamos de "cosmo" está além de uma única perspectiva, de uma única interpretação. O filósofo, que não era materialista e nem metafísico, que não se prendia a esse tipo de dualismo, só poderia acabar por ampliar seu olhar a esse respeito. Passou, então, a ter variados olhares sobre esse mesmo "objeto". Isto também foi possível graças à sua genealogia dos valores, porque aprendeu a reconhecer a força das avaliações que fizeram surgir, deram emergência a certos valores entre nós. Pôs em questão a "verdade", porque somente há interpretações, forças em relação, em tudo aquilo que denominamos "cosmo".
Em Gilles Deleuze, a leitura a partir do filósofo alemão percorre o espaço das diferenças entre essas "tais" forças, a ponto de o que é chamado por Nietzsche como "eterno retorno do mesmo" ser interpretado pelo filósofo francês como "o retorno das diferenças". O mesmo é uma relação contínua das forças, ainda que haja uma seleção em que as forças ativas seriam "filtradas" pelo devir. Afinal, o que permanece nas forças é a afirmação, o afirmar-se, o "querer" mais força.
Em Scarlett Marton, a "teoria das forças" é utilizada para que possamos entender melhor os dados biológicos, embora ela vá além deles. Foi também o que o próprio Nietzsche fez. Em nossa intérprete brasileira, torna-se mais clara a opção pela energética no filósofo, sendo a "matéria", na cosmologia nietzscheana, substituída pela força. Também, na leitura da pesquisadora, o que ressoa diferente é que o "eterno retorno" é o do mesmo... com suas diferenças, é claro.
A outra leitura... Bem, essa é a minha leitura e, numa "piscada de olhos", o que aprendi com Nietzsche, lanço uma perspectiva a mais, isto é, a de que existe um forte sentido nesse "nosso" filósofo. Esse é o meu diferencial, para usar aqui uma expressão deleuziana. Pois, posiciono-me contra a aparente "falta de sentido" em Nietzsche. É, por isso, que defendo uma suspeita religiosa, palavra esta em sentido amplo.
Mauro Araujo de Sousa. |
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